2º dia: Serra da Estrela - Bike105

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2º dia: Serra da Estrela

Aventuras > A conquista da Torre
 VALHELHAS - VALE DO ROSSIM
Distância: 38.72 Kms
Desnível: 1090 mt

Como já é tradição, pelas 8.00h tinha a bike pronta com toda a mercadoria acondicionada. Esperei um pouco pela abertura do bar do parque para tomar o pequeno almoço. Com os desníveis que eram necessários vencer não podia facilitar com a alimentação. Algum tempo depois já saia do parque com destino a Manteigas. Neste momento já o som dos helicópteros de combate aos incêndios se sobrepunha ao silêncio da serra. Imediatamente após Vale de Amoreira existe um entroncamento do lado esquerdo que tem uma ponte. Debaixo dessa ponte existe um rio com água cristalina onde se pode, a grande distância, observar os peixes. Indicador de que aqui a poluição ainda é reduzida. Nesta altura já eram mais visíveis as nuvens de fumo dos incêndios. Pelo caminho pude observar pela primeira vez como são as placas de limitação do acesso ao interior das matas através de estradas florestais. A passagem pelo Ski Parque foi registada em foto (existe também aqui um parque de campismo), e rapidamente também a localidade do Sameiro foi ultrapassada. Estava agora a entrar em Manteigas e já podia ver as consequências do fogo: estradas cortadas pela GNR; uma densa nuvem de fumo que escurecia a luminosidade de toda a cidade. Para subir a serra apenas poderia ir direcção ao Vale do Rossim, já que a estrada junto ao Vale Glaciar estava interdita. No entanto, por precaução confirmei junto dos B.V. Manteigas se para esta zona não existiam problemas com os incêndios. No quartel deram a informação que existia uma frente de fogo nesta zona mas que não inspirava cuidados. O bombeiro que me deu esta informação, insistiu que gravasse o nº telefone do quartel no telemóvel para que em caso de emergência os contactar. Assim o fiz sem saber que mais tarde que me seria útil.

A estrada utilizada para aceder ao Vale Rossim é a mesma que se utiliza para Gouveia. Uma estrada que serpenteia a serra e que do topo possibilita uma imagem quase de calendário, não fosse o fumo denso que se abatia pelo Vale Glaciar. Lentamente fui progredindo e ganhando altitude, mas surpreendentemente, alguns cicloturistas também subiram por esta zona. Talvez fruto da Volta a Portugal em Bicicleta, que todos os anos leva os apaixonados pela modalidade a subirem à serra de forma a verificarem em loco aquilo que os ídolos têm que percorrer. No topo deste lado da serra, existe uma Pousada e um miradouro que possibilita uma magnifica vista sobre Manteigas e toda a zona circundante.

Ainda durante a subida sucedeu um episódio que não posso deixar de comentar:

- Numa estrada onde o trânsito é quase ausente, o silêncio permite a quem utiliza a bicicleta como transporte ouvir todo o tipo de som. No meu caso, como estava a subir, ainda tinha mais possibilidade de desfrutar desse silêncio... Este silêncio foi quebrado pelo barulho que pneus a chiar, o que anunciava a aproximação de um veículo a uma velocidade elevada para este tipo de estrada. A minha preocupação era se o veiculo vinha a subir, alcançando-me por trás ou, em sentido contrario ao meu. O vento fazia dispersar o som, aumentando as minhas duvidas. A minha maior preocupação era ser alcançado por trás em plena curva, isto era aquilo que deveria evitar a todo o custo. Tentava rapidamente “sair” duma curva e com os sentidos todos em alerta máximo, quando na minha frente “cai” um veículo a grande velocidade e faz a curva com dificuldade. Durante mais alguns minutos continuei a escutar o barulho dos pneus. Foi um enorme susto... Já conduzo faz muitos anos, e tenho plena consciência que se aquele carro alcançasse algum veiculo mais lento numa curva, não teria qualquer hipóteses de evitar um acidente, repito, não teria qualquer hipóteses de evitar um acidente. Pensei nesta altura que a sorte estava comigo pois fiz este trajecto no sentido correcto... O veiculo era um Clio que tinha uma placa no pára-brisas com a identificação da TVI. Certamente estaria a fazer reportagem devido aos incêndios na região. Não pude deixar de pensar, nas reportagens que esta estação passa regularmente sobre manobras que alguns condutores realizam na estrada, sempre, como é apanágio da estação, com o comentário final irónico do jornalista que o apresenta. É caso para dizer: Faz o que eu digo, não o que eu faço!

Alcancei o topo desta parte da serra junto à Pousada de S. Lourenço onde se tem uma vista privilegiada sobre Manteigas e o Vale Glaciar. Bom, na realidade, neste dia a vista era diminuta pelo muito fumo que cobria a zona. Pedalava agora em direcção ao Vale do Rossim ao encontro do Parque que em 2001 tinha estado aquando da realização da GR22. Quando cheguei ao Parque já sabia que apenas existia um restaurante fora do parque e junto à Barragem do Rossim, por isso segui directamente para aqui. Estavam neste momento os bombeiros a tentar extinguir uma frente de incêndio neste local, com a ajuda de um helicóptero. Tinha fugido do fogo e por força do destino tinha vindo ao seu encontro. Antes de entrar no parque, resolvi almoçar no restaurante e assim esperar pelo desfecho deste incêndio. No final do almoço, como relativamente ao incêndio tudo parecia controlado, entrei finalmente no Parque de Campismo. Aqui pude “digerir” a conta do almoço que foi de 14 Euros... A exclusividade faz mossa. Assim, quem alguma vez aqui se dirija de bicicleta fica desde já a saber o que pode esperar. De automóvel pode sempre procurar uma alternativa.

Como neste local não existe rede telemóvel Vodafone tive de deslocar-me de bicicleta durante algum tempo. Obtive a informação que a Volta não passaria por Manteigas e sim pela Covilhã. Isto estava a correr bem... Tinha como finalidade subir à Torre e donde me encontrava tinha três opções:

1. Descer ao Sabugueiro e depois subir à Torre.
2. Utilizar um caminho florestal que me levaria à Lagoa Comprida.
3. Descer a Manteigas e subir por ai até à Torre.

Pelas informações que tinha recolhido no parque, a primeira era a mais dura em termos físicos. A segunda a mais frágil em termos de segurança, já que o nevoeiro e chuva que nesta altura já era muito denso, por vezes era extremamente limitativo em termos de visibilidade e teria de palmilhar a pé algumas centenas de metros. A terceira era aquela que se apresentava como mais razoável, apenas seria necessário confirmar se a estrada junto ao Vale Glaciar se encontrava aberta à circulação. Tudo ficaria em aberto para o dia seguinte. 
 
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