Entre o Betão e o Monte - Bike105

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Entre o Betão e o Monte

Passeios
Entre o Betão e o Monte

Imaginem o que é reconhecer a solo um trajecto de quase 90 Kms por zonas que não se conhece, os dias passados a pedalar por muitos trilhos sem saída e tentando encontrar alguns mais adequados, etc. Agora imaginem a sensação de convidar um grupo de amigos para partilhar esse trajecto. Por ultimo, imaginem qual a sensação de ter de abandonar o grupo antes do final do suposto trajecto por questões físicas, pois...

Já me aconteceram situações divertidas e outras nem tanto mas o que me sucedeu neste dia é uma assustadora novidade, uma insuportável dor no joelho Esq. simplesmente impossibilitou-me de continuar de bicicleta, aliás, até subir ou descer umas escadas neste momento é um verdadeiro suplicio.

Mas nem tudo foi mau, assim vou relatar aquilo que aconteceu neste Domingo em que o nevoeiro baixou à cidade em conjunto com um frio de cortar.

Ás 08.00h cheguei à estação da CP e Sacavém. Nesta altura o nevoeiro parecia estar a dissipar-se mas o frio obrigava a que continua-se a pedalar para manter a temperatura do corpo num nível aceitável. Pelas 08.30h chegou o Paulo, depois o Luís telefonou a relatar um problema técnico que lhe tinha acontecido e o Paulo partiu em seu auxilio. Entretanto chegou o Jorge e depois o Paulo com o Luís e também António Pinto e ...partimos debaixo de um cerrado nevoeiro. À nossa espera na localidade de Stª Eulália estariam o Gabriel e o João.

Como forma de colmatar o atraso na partida resolvi alterar a parte inicial deixando a "parede" do Zambujal de parte. Realizamos o trilho junto ao rio Trancão que apresentava um elevado grau de lama e exigia uma atenção redobrada pois a aderência era quase nula. De seguida utilizando parte do trajecto do Caminho do Tejo fomos directos para Vialonga e subimos até Stª Eulália ao encontro do João e do Gabriel. Aqui começaram os meus problemas pois uma ligeira dor estava latente no joelho esquerdo o que me impossibilitava exercer a força ao máximo.

Depois das respectivas apresentações dos novos elementos foi altura de continuar a subir até ao Marco Geodésico. Aqui chegados podemos constatar três coisas: O sol estava forte, não existia vento e nevoeiro não se tinha dissipado. Pelos factos apresentados a fabulosa vista que normalmente aqui se avista resumia-se a muito pouco, para complemento fomos literalmente atacados por melgas, esse bicho diabólico. Assim após uma curta paragem continuamos por trilhos um pouco mais técnicos até que chegamos a um local onde pela lama existente quase todos optaram por realizar a pé.

Mais à frente e numa descida muito técnica fomos obrigados a parar porque em sentido contrario vinham alguns Jipes que ocupavam a totalidade da estreita estrada, depois fomos ao encontro de mais um pouco de asfalto, sem que isto signifique facilidades pois continuamos a subir, e muito.

Chegados à próxima localidade comuniquei ao grupo que estava em dificuldades, que recorreria a um trilho alternativo e me encontraria com o grupo mais à frente. Como todos disseram que iam comigo, pensei que assim o passeio começaria a não corresponder minimamente ao idealizado, então optei por realizar o trajecto previsto.

No trilho seguinte as dores já se faziam sentir com alguma intensidade e aí resolvi "forçar" o grupo a ir pelo trajecto idealizado enquanto eu seguiria por asfalto até ao seu encontro. Consegui convence-los e resolvi avisar que no meio da descida existiam duas curvas que requeriam cuidado pela existência de regos feitos pela chuva. Bem, o Luís levou em consideração o meu aviso e resolveu cair na primeira curva...felizmente sem gravidade.

No reencontro continuamos até optar por alterar mais um pouco o inicialmente previsto como forma de poupar tempo, e confesso, poupar-me a mim pois as dores estavam a crescer assustadoramente. Assim subimos junto a um pequeno rio onde o verde imperava e o som da água a correr nos fazia pensar em algum local no interior do pais e não a poucos quilómetros de Lisboa.

Mais uma subidita e de novo tive de convencer o grupo a seguir o Luís que tinha o GPS com o track carregado e o Gabriel com o João já tinham reconhecido comigo todo o trajecto. Isto enquanto eu recorria a mais uma alternativa de forma a poupar esforços, desta feita o António Pinto fez-me companhia com o simpático pretexto de que também queria poupar energias. :-)

Daqui para a frente as minhas dificuldades já eram consideráveis mas nunca me ocorreu desistir. Assim calmamente fomos para o local onde nos encontraríamos com os restantes elementos do grupo, como chegamos com algum avanço aproveitei para descansar ao máximo.

Na realidade "livrei-me" duma boa subida que os restante desfrutariam, atendendo à descontracção com que chegaram ao topo da mesma. Um ligeiro repouso e partimos de novo agora já com o Sobral de Monte Agraço à vista. Daqui até ao local do almoço foi um instante, tal a necessidade que todos sentiam em repor energias.

Resolvi parar no mesmo café que anteriormente tínhamos estado e da mesma forma entrei só eu, sob o olhar de todos os presentes pois a indumentária e a lama eram um cenário que contrastava com o restante.

Assim a consequência desta paragem foi: 7 Sopas ; 5 Bifanas; 1 Tosta mista; 3 Garrafas 1.5l água; 1 Coca Cola e 2 Ice Tea. Penso que na próxima vez já não terei necessidade entrar no café a solicitar que sejamos atendidos na espanada. A temperatura e o reconforto da comida provocaram ideias menos betetistas tais como: "... fico já aqui; daqui já não saio..."

Após pagar-mos a conta seguimos de retorno pelas ruas do Sobral e após a escola viramos direcção a um trilho entre muros muito bonito. Até a S. Quintino percorremos mais uns trilhos engraçados e após passear pela igreja de S. Quintino aconteceu aquilo que nunca julguei possível: uma dor no joelho impedia-me de pedalar e era mesmo difícil manter-me em pé. Estranhando a minha demora os restantes voltaram atrás e após a minha explicação de total impossibilidade em continuar, incentivei a que continuassem sob pena de chegarem já de noite com todos os perigos que isso acarretava. Por mim rapidamente garantiria a minha recolha no local onde estava.

Confesso que neste momento senti um enorme sentimento de frustração por ter de abandonar o grupo e ao mesmo tempo uma preocupação por não poder acompanha-los... Também uma grande preocupação pelo que estava a suceder, pois a perna esquerda era até agora a que estava isenta de problemas...

Quando fui recolhido sobe que aparentemente o grupo já tinha sido visto em Bucelas o que garantia uma rápida chegada a Sacavém. Quando cheguei a casa depois do banho e de colocar gelo no joelho resolvi contactar com todos (que tinha contacto) de forma a saber se tudo tinha corrido pelo melhor.

Para minha surpresa fiquei a saber que a ultima parte do trajecto não correu pelo melhor já que optaram por um caminho diferente do track e como encontraram uma ponte destruída, tiveram de voltar atrás de forma a retomar o caminho correcto. Com este contratempo tiveram de realizar o perigoso trajecto junto ao rio Trancão de noite e sem qualquer tipo de iluminação.

Lamento imenso ter abandonado o grupo desta forma mas não tinha qualquer hipótese de continuar, mesmo nenhuma. Espero que um dia possa convida-los novamente e dessa vez realizar-mos o trajecto pela totalidade.

Um grande abraço para todos, e o meu obrigado mais uma vez ao João e ao Gabriel que se esforçaram por levar o grupo a "bom porto". 

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