Oeste sem fim - Bike105

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Oeste sem fim

Passeios
Oeste Sem Fim (Montemor-Montejunto) 09 Abril 2005 - Por Gabriel Gonçalves

Sai às 8:30 de casa para ir buscar a poderosa à oficina e pelas 9 lá estava em Montemor, na fonte do Ceirão à espera do resto da frota. Depois de vários telefonemas e uma hora à espera (1 frio do camano) lá chegaram os “cruzadores pesados” AntonioKTM's e o Joe big Fox e logo começamos, tardiamente a dura etapa de btt até ao Montejunto.

De seguida abandonamos o alcatrão e entramos pelos caminhos de terra batida. Pouco depois descemos por um caminho que ainda há uma semana atrás era um carreiro mas que as maquinas (os homens) resolveram tragar. O que era técnico e interessante tornou-se monótono. Pouco depois passamos por uma cancela e iniciamos a subida dos ciprestes rumo a Aruil. O António olhou para o chão e disse que aquela subida devia ser lixada em dias de borrasca e lama, o que é verdade pois da última tentativa que tinha feito de efectuar este passeio, eu e o Joe ficamos logo por ali, pois os nossos pneus pareciam dois donuts, sendo as suas dimensões limitadas pelo quadro e suspensões.

Já lá no alto, o António põem-se a falar de eixos e pedaleiros XTR… e começamos a descer por meio das hortaliças até ao estádio do Aruil Futebol Clube, logo virando à direita e passadas as estufas e a pista de MotoCross, saltadas as cercas e cruzando campos cheios de flores chegamos ao vau do Charco, onde o António aproveita para tirar uma foto mas a maquina tem caruncho. Lá lhe tiro uma foto e começamos a subir o carrossel dos 4 há hora, mas sempre lindo de se fazer. Chegamos à serra de Monfirre e por caminhos sempre difíceis cheios de pó, degraus, pedras, calhamaços e penedos e, como se não basta-se ainda havia galhos e ramos de eucalipto, aproveitando o António para se mandar para o meio do chão.

Chegamos a Azenha e cruzamos o “rio cheira a leite podre” (queijarias são as grandes responsáveis) duas vezes para depois de uma barra comida iniciarmos uma subida curta mas tramada. Foi tudo à mão, aproveitando o Joe para falar das grandes laranjas sem sumo. Sobe e desce e cruzamos o vau do rio mau entrando por um carreiro que nos levaria até as escavadoras. A caminho da Serra do Funchal somos “saudados” pelos cães danados do Casal do Mucharro, logo iniciando a rampa de alcatrão até ao Funchal, onde paramos na fonte para beber e comer algumas barras, aproveitando eu para encher mais uma vez o maldito Spider traseiro.

Iniciamos então uma perigosa descida de brita entrando, pouco depois num bosque para mais a frente cruzar mais um vau e a linha do Oeste, chegando pouco depois a Alcainça. O caminho, outra hora bonito está agora todo lixado com as obras da auto-estrada Mafra-Malveira. O António aproveita para tirar uma foto no meio do recente alcatrão. Se fosse hoje era mais emocionante. Um pouco mais à frente chegamos a Abrunheira, terra de vacas e estrume. Pouco depois demos com o muro da tapada de Mafra que mais parece com o seu sobe e desce, a muralha da China. Do outro lado estão as hordas mongóis e os tártaros de Genghis Khan! Mas temos mas é de enfrentar um carreiro a subir, só para duros, pois a tartaruguinha como o Adalberto lhe chama, é aqui vital para vencer o obstáculo. Mais à frente, depois de uma mija colectiva, descemos ate à nacional N8 para de seguida subir um pouco mais até ao casal do Outeiro onde temos uma panorâmica daquilo que nos espera mais à frente: a Serra do Socorro!

Mas por agora é a descer e pelo caminho passamos por uma furgoneta de pão, cheira tão bem mas estes gajos não param! A descida continua e em breve passo por um tronco que à 15 dias atrás me fez ir ao chão. Pouco depois entramos em Vila Franca do Rosário e, sem parar continuamos aproveitando eu mais a frente para quase me despistar depois de uma longa travagem (pastilhas tão fora de combate). Mas não se passa nada e logo cruzamos um grande vau antes de chegar a Enxara do Bispo. Aqui paramos para comer mais uma vez umas enjoativas barritas, aproveitando eu para dar mais umas bombadas no Spider.

Mais uma subidita de fazer mossa e alcançamos o forte da Enxara. Daqui é sempre a descer até S. Sebastião. Os nossos verdadeiros problemas começam aqui. O meu desviador da frente não está bem mas com uns biqueiros funciona mas a longa subida não vai com chutos, só com pedal. A subida da Serra do S.O.S é um verdadeiro martírio. No início é alcatrão, mas logo empina e dá lugar a um duro paralelo tipo Paris-Roubaix com terra e uma inclinação formidável! O Joe vai à frente e eu a uns 50 metros na esteira dele. Ás vezes parece que estamos quase no fim mas depois de uma curva segue-se outra rampa, atingindo esta a sua máxima dureza já perto do cume. Finalmente chegamos ao desconhecido mas bonito santuário do nosso Oeste sem fim! Por fim o António lá consegue trazer o seu grande “cruzador pesado” até à crista do monte.

Vamos ao tasco e embrulhamos a primeira comida decente do dia, uma bucha de pão com carne assada. Havia vinho por todo o lado mas a contenção impõe-se pois a descida seguinte isso exige. Descemos pelo outro lado, por um empinado e perigoso caminho usado na volta a Mafra para subir a serra! Se do outro lado era duríssimo deste o que será! A MALTA QUE ANDA DE BINA POR ESTES CAMINHOS É TODA PARVA. AINDA POR CIMA MUITAS VEZES PAGAM PARA VIR PARA ESTES PASSEIOS ONDE SE APANHA PORRADA DE CRIAR BICHO!

Mas logo temos nova coça pela frente, logo após Cadriceira, tendo que andar alguns troços à mão. Mas lá no alto é sempre a descer até Runa, altura em que o António ganha juízo na mona e deixa de nos aturar. Agora somos só dois. Em breve entramos num caminho por entre um magnífico bosque. Nem sei como é que isto ainda não ardeu. Este, depois de uns fantásticos 2 km, acaba numa curta mas lixada subida, e em breve percorremos as cristas da Serra de S. Julião, sempre com belas vistas do Oeste. Pouco depois passamos o moinho do Piloto e mais à frente encontramos 2 cães simpáticos já nossos conhecidos. Pista de autocross e prossegui-mos a bom ritmo pois já eram umas 18:30, 19 horas.

Mas o caruncho já dava com força, o corpo doía e o Joe começa a perguntar qual é o melhor caminho para ir para casa do António. Hesitante, acaba por seguir o plano da rota cruzando sem parar toda a Serra Galega.A descida desta é por meio de uma serpenteante descida de brita, o que com 1 bar de pressão atrás não é muito seguro. O pneu de trás é uma bosta. Esta sempre a perder ar mas hei-de o romper até ao fim!

Subimos até ao castelo para logo descer (sabia que era perigoso mas mesmo assim ia me esfarrapando pelo chão fora). Paramos para uma última barra e para mais umas bombadas no pneu e siga para enfrentar a última e mais desgastante fase da etapa; a magnifica Serra de Montejunto. A subida inicia-se e logo passamos junto dos 4 moinhos. Quando encontramos a estrada, o Joe passa-se da cabeça e resolve ir pela estrada. Combinamos encontrar-nos junto ao parque de campismo do Montejunto, onde estava o carro. Eu sigo a rota que tracei. Ao passar o Convento da Visitação, apesar de já serem umas 20 horas e quase de noite, sinto energia capaz de me levar até ao fim, mas pouco depois tenho de parar para pela última vez encher o pneu, o que rouba bastante energia. (mete ai na NET que os HUTCHINSON SPIDER TUBLESS SÃO A MAIOR BOSTA DE PNEU, POIS QUANDO CHEGUEI A CASA TINHA MAIS DE 50 FUROS SÓ NO DE TRÁS. SE NÃO FOSSE O MAGIC SEAL NEM CHEGAVA À MALVEIRA!)

A subida é então dura mas com esforço consigo alcançar os 2 enormes penedos e pouco depois alcanço o planalto do alto da lagoinha, isto já de noite. Já a descer e de luz acesa vejo um vulto no caminho que me parecia um grande cão. Como era a descer, meti maquinas avante a todo o vapor direito a ele, pois assim pensaria duas vezes em caso de ataque. Mas o pobre bicho fugiu e depois verifiquei que se tratava de um bode, talvez o demo mafistofomes em pessoa. Um gajo passa mal nestas coisas das binas de montanha e para não variar mais uma terrível mas curta subida por meio de um carreiro até alcançar os moinhos do Casal da Serra. Por fim alcanço a estrada alcatroada do Montejunto. Mas o asfalto não é fácil pois é sempre a subir. Tento aproveitar o alcatrão para conseguir uma boa velocidade ordenando lá em baixo, à casa das maquinas que trabalhe a todo o vapor, mas no compartimento das caldeiras a pressão do vapor é baixa, ó melhor, já não há carvão!

O pedal vai e vem mas a velocidade mantém-se nuns desesperantes 5, 6 “nós”. Mas por fim e já no limite alcanço o Joe, que à pouco fez a mesma subida.

O cansaço era muito, mas fico satisfeito e feliz por ter conseguido chegar ao fim destes duríssimos 81km que cruzam alguns dos trilhos e caminhos mais bonitos deste Oeste Sem Fim.

Oeste Sem Fim (Montejunto-Loures) 25 Setembro 2005 - Por João Carvalho 
Aventurar, calcorrear, conviver, oxigenar...VIVER...pedalar!

Era dia do Natal, mas em Setembro. O tempo parecia favorável/amigável e lá fui prós, já longamente ansiados trilhos e caminhos desde Montejunto a Loures...a ida tinha sido já em Abril e faltava-nos o regresso. Eu o Gabriel e António já tínhamos combinado as coisas e assim, arranquei de casa para ir buscar o Gabriel e a bina para rumarmos ao"pedregulho"de Montejunto onde o Tó nos aguardava para iniciarmos a diversão. Quando chegámos ao local de partida parecia mais um dia de Inverno do que de Outono, tal o frio, humidade e cinzento que nos envolvia...tínhamos mais um aderente à nossa viagem/aventura, o Hélder e a sua rígida (!)...partimos pelo alcatrão rumo às antenas (bom aquecimento!) até cortarmos à direita e nos metermos naquela vereda, digna de um downhill, que nos levou à estrada que circunda a serra. Muita dela feita a pé sobre resvalantes calhaus nada divertido ter de se fazer andar (deixa lá Tó, pelo menos foi a descer!). Feito o estradão até ao alcatrão lá nos metemos; à esqª, por outro bonito trilho a descer até pararmos ao entrar no caminho que dá acesso a Cabanas de Torres, devido a um furo que obrigou à mudança da câmara-de-ar na bike do Hélder. A partir dai, começarmos a cruzar vinhedos antes da subida seguinte logo após sairmos da Labrugeira.

De subida em descida, felizmente suaves, lá fomos cruzando algumas pitorescas aldeias como Aldeia Gavinha (deve ser para rimar com vinha-fotos) pelos caminhos do Oeste Selvagem...

Junto a Alfeiria paragem para a bucha, numa subida, junto à vinha pertença de alguém por quem tínhamos acabado de passar e, que simpaticamente, nos disse que se quiséssemos provar as uvas era só ir apanhar um cacho. No monte da Sra. dos Milagres (299mts-fotos) começo-me a ver rodeado por parques eólicos, uns mais longe, outros mesmo aqui ao lado e pode-se observar pomares, alguns eucaliptais e sempre as vinhas! Até ao Sobral (+1/2hora) foi um pulinho.
12:30...hora da bifana light junto ao jardim bem no meio da vila, já se está a tornar um hábito sempre que passamos no Sobral. Mais uma hora de pausa e, foi o voltar ao"sofá" e às pedaladas!

Casais de S. Quintino...Forte do Alqueidão (rica vista)...descida, subida paragem junto de 2 geradores eólicos (pausa para a foto dos dois moinhos) e pedalar até os ferros velhos que começarmos a cruzar!? Pois, mudámos dos vinhedos prá sucata...estamos já prós lados da Milharada/Póvoa da Galega e o malvado pó começa a"moer"as pernitas e as cabecitas...é o cansaço normal, acumulado, devido aos já mais de 50kms de carrossel a pedalar no pó (a admissão parece que está a ficar entupida e o nosso rendimento ressente-se!). Talvez se fizermos uma dança da chuva colectiva este pó se vá embora...

Subir para a Charneca, mesmo no alcatrão, já não é diversão...depois cruza-mos a A8 por detrás de Lousa, desce-se para a vila...sobe-se em direcção a Montemuro por alcatrão...depois à esqª sobe muito em terra outra vez...aqui é melhor a pé...depois foi plano antes da grande descida do dia, junto a Ponte de Lousa, libertar adrenalina é booommm!
Até Loures é mais suave e bucólico por entre ex-pastagens e hortas, alguns sobreiros e entulhos; o Rio de Loures sem água...a Igreja Matriz...cheguei à minha vila-cidade outra vez (10 horas depois de ter saído!).

Foi fixe... O Gabriel ainda teve de pedalar até a Ramada; o Hélder ficou em Lousa e foi até à Avessada; o Tó crank-bike105 ainda me aturou até Montejunto (outra vez mas agora de carro!).
Eu cheguei a casa às 21horas...um longo dia pedalado! 

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